O conceito de pedágio sem cancela, conhecido como free flow (fluxo livre), deixou de ser promessa para se tornar realidade em corredores rodoviários de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Inspirado em sistemas europeus e chilenos, o modelo promete adeus às filas, redução de emissões e eficiência na arrecadação. Mas como funciona na prática? Quais os impactos para transportadores e motoristas de passeio? Neste artigo denso, mergulhamos nos aspectos técnicos, jurídicos e econômicos do free flow.
1. Tecnologia por trás das cancelas invisíveis
Diferente dos tradicionais pórticos com cancelas, o free flow utiliza um conjunto de câmeras de visão computacional, antenas RFID (idênticas às das tags de pedágio) e sensores a laser instalados em pórticos. Cada veículo é identificado ao passar sob a estrutura, e o sistema classifica automaticamente o tipo (moto, carro, caminhão) com base na altura, comprimento e assinatura eletrônica.
Os dados são processados em tempo real: para veículos com tag (como Sem Parar, ConectCar, Move Mais), a cobrança é feita automaticamente na conta vinculada. Para os demais, o sistema captura a placa e o proprietário pode pagar via aplicativo, site ou em pontos de conveniência num prazo típico de 15 dias (evitando multa).
⚡ Dado relevante: Na rodovia Rio-Santos (BR-101) trecho free flow, a velocidade média subiu 34% nos horários de pico e a emissão de CO₂ caiu aproximadamente 22% devido à eliminação de arranques e paradas.
2. Vantagens e desafios da implementação
2.1 Para o usuário
- Fluidez: fim das filas e redução do tempo de viagem.
- Pagamento flexível: possibilidade de quitar após a passagem (evita multa por evasão, mas prazo limitado).
- Segurança: menos congestionamento e frenagens bruscas reduzem acidentes.
2.2 Para concessionárias
- Redução de custos operacionais (menos cabines, menor necessidade de funcionários).
- Aumento da capacidade da via sem necessidade de alargamento.
- Controle mais preciso de tráfego com dados em tempo real.
Apesar dos benefícios, o free flow enfrenta obstáculos: evasão (motoristas que não pagam), necessidade de educação digital para usuários ocasionais e integração entre diferentes sistemas de tag (interoperabilidade). O contencioso administrativo também cresce: muitos recorrem de cobranças por falhas na leitura da placa.
3. Arcabouço legal e normas da ANTT/ARTESP
A Resolução ANTT nº 5.899/2022 estabelece as diretrizes para a implantação do free flow nas rodovias federais concedidas. Já em âmbito paulista, a ARTESP regula o programa "Pedágio sem Cancela". O motorista tem 15 dias corridos para efetuar o pagamento após a passagem; não o fazendo, a infração é considerada grave (art. 209 do CTB – evasão de pedágio), com multa de R$ 195,23 e 5 pontos na CNH.
Dados da ARSESP indicam que cerca de 12% dos usuários ainda não regularizam seus débitos dentro do prazo, o que levou à criação de aplicativos e pontos físicos de pagamento nas principais rodovias.
4. Impacto econômico e projeções
Estudo da consultoria LCA estima que, com a expansão do free flow para 6 mil km de rodovias até 2028, a economia de tempo para caminhoneiros pode chegar a R$ 1,2 bilhão por ano. Além disso, o modelo reduz custos de manutenção de pavimento (menos frenagem de veículos pesados). Empresas de logística já adaptam seus sistemas de gestão de frotas para monitorar automaticamente os débitos de free flow.
| Rodovias com free flow (atual) | 12 praças (SP, RJ, MG, PR) |
| Previsão para 2027 | 41 praças |
| Redução média de filas | até 90% nos horários críticos |
| Índice de acertos de leitura | 99,2% (tags) / 94% (OCR de placas) |
5. Free flow e o futuro da mobilidade
Especialistas apontam que o sistema é a base para a cobrança por uso na mobilidade urbana (pedágio urbano) e para veículos autônomos. Com a evolução do V2I (vehicle-to-infrastructure), os carros poderão negociar a passagem de forma autônoma. O Brasil, com o free flow, salta para um patamar de modernidade comparável a países como Portugal (via do Infante) e Noruega.
Conclusão
O free flow é mais que uma troca de tecnologia: é uma mudança cultural no relacionamento entre usuário e infraestrutura viária. As concessionárias precisam investir em comunicação clara e canais de pagamento acessíveis, enquanto os motoristas devem se adaptar à responsabilidade de pagar após o uso. A Premium Motors Sp LTDA acompanha de perto essas transformações, oferecendo soluções automotivas e consultoria especializada para frotistas e transportadoras.